14/03/2018 MELHORAMENTO GENÉTICO

Ciência e tecnologia são pontos fundamentais no processo de obtenção do CEIF

Avaliação feita fora dos criadouros garante maior confiabilidade nos resultados

Gabriela Salazar, de Magda (SP)

gabriela@ciasullieditores.com.br

O programa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF) que garante a qualidade do gado que participa de processos de melhoramento genético, o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIF), torna possível a seleção do rebanho mais rentável. Dentre os animais, que vivem a pasto, apenas 30% serão certificados. A garantia da aquisição vem por meio da triagem feita antes da comercialização, durante o período de sobreano.

O diretor Pecuário da Agropecuária CFM (Magda/SP), Tamires Miranda Neto, relata que o animal vive como qualquer outro no pasto até passar pela avaliação. “Nós não criamos de forma diferente, não é nem esse o objetivo. Temos a criação do gado a pasto e quando chega próximo aos 18 meses, o chamado período de sobreano, juntamos a coleta de dados e encaminhamos para avaliação”, explica.

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“Nós precisamos saber que os animais tiveram uma oportunidade igual de crescimento”, afirma Neto (Foto: feed&food)

O procedimento feito fora do criadouro garante uma imparcialidade frente àà decisã de separação dos 30% que serão comercializados como touros dos 70% que serão encaminhados aos frigoríficos. Para Neto, o CEIF torna inviável uma aposta na genética de origem do animal: “Quando sabemos que aquele bovino possui uma genética de engorda facilitada, porém não se enquadra dentro dos critérios de certificação, ele será encaminhado ao frigorífico”.

O estudo do melhoramento genético na produção pecuária é realizado diretamente pela Universidade de São Paulo Campus Pirassununga (USP, Pirassununga/SP). Após o período de desmame, dados como peso, altura e perímetro escrotal são coletados pela equipe de manejo e enviados aos laboratórios acadêmicos que farão a triagem. A partir das características apontadas neste relatório, é feita a seleção.

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Fêmeas devem ser fecundadas cada vez mais cedo, nova meta é aos 14 meses (Foto: feed&food)

Até o último ano a Agropecuária CFM já fez parte de mais de 290 publicações acadêmicas, dentre artigos, teses e trabalhos de conclusão. Neto garante que esse respaldo científico é o grande diferencial para tornar a seleção justa. “Sempre que podemos estamos participando juntos neste avanço da tecnologia”, completa.

A entrevista realizada com o diretor pecuário aconteceu durante o segundo dia do Road Show para jornalistas do agronegócio, evento promovido pela Texto Comunicação (São Paulo/SP) que seguirá por diversas empresas e instituições do setor até o dia 16 de março.