14/01/2021 REPERCUSSÃO

"Não usou dados oficiais", diz FPA sobre Macron

Em nota, entidade salienta "constrangimento" pela fala do presidente Francês

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou em nota que acompanhou com "profundo constrangimento" as manifestações "feitas sem nenhum dado oficial” pelo Presidente da França, Emannuel Macron, que associou a produção de soja no Brasil ao desmatamento ilegal da Amazônia.

A entidade salientou em nota que apenas 10% da oleaginosa nacional é colhida no bioma amazônico e que não há relação entre essa produção e qualquer processo de desmate. "Não aceitaremos acusações desse tipo. O Brasil é um grande exportador mundial de alimentos, um dos maiores responsáveis pelo abastecimento alimentar no mundo e ocuparemos nosso lugar, independentemente das guerras comerciais em franco desenvolvimento na França", diz o texto, assinado pelo deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da bancada ruralista.

"Somos sustentáveis, cumprimos regras sanitárias e ambientais mais rígidas do que os países competidores e estamos alcançando um padrão de qualidade nunca visto antes, sem aumentar nossa área de plantio. Para a França alcançar o patamar do Brasil, vai precisar conquistar novos territórios, o que a modernidade e a civilidade não permitem mais", completa.

No texto, a entidade também pontua que as declarações mostram um "desespero" nunca visto com relação ao desenvolvimento sustentável do Brasil e que têm cunho eleitoral, já que os produtores franceses, segundo o texto, não conseguiriam atender a demanda do país por soja.

De acordo com a FPA, a União Europeia importa cerca de 13 milhões toneladas de soja por ano, das quais 5 milhões vão para a França. A produção atual dos franceses é de 200 mil toneladas por ano - o que representa apenas 5% da demanda -, irrigada e a um custo alto.

A bancada ruralista calcula que, para atender a essa demanda, seria necessário plantar cerca de 2 milhões de hectares. “Basta saber quem vai liberar essa terra toda e o impacto ambiental disso. Um discurso para atender eleitores não pode ser utópico a ponto de não ser alcançada a autossuficiência".

Fonte: Valor Econômico, adaptado pela equipe feed&food.