12/01/2018 AGRONEGÓCIO VERDE

Em sustentabilidade, ações precisam ser números, segundo Betancourt

Presidente do Sindirações levanta bandeira de protagonismo para o Brasil

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Roberto Betancourt, iniciou uma corrida para difundir o discurso da sustentabilidade em solo nacional e conscientizar os agentes da cadeia sobre a urgência de formatar uma agenda e vender com competência o produtor brasileiro lá fora. “Não somos líderes do planeta, somos apenas seguidores. E só conseguiremos mudar esse cenário quando fizermos a lição de casa. Na hora que transformarmos todas as nossas ações em números. Só assim seremos valorizados”.

Envolvido por inteiro com estas questões, Betancourt quer levar o Brasil ao protagonismo, para que ele ocupe seu espaço entre as lideranças globais. Porém, esse caminho só será efetivo quando o campo formar uma rede engajada de profissionais e trabalhar pontos de melhoria. Confira a seguir os detalhes desta entrevista.

Revista feed&food – A partir dessas experiências vividas lá fora, você trouxe um novo olhar para o Brasil com a intenção de transformar todas as ações em dados. Mas antes de tudo, como você enxerga a atitude do brasileiro em relação à sustentabilidade? Roberto Betancourt – O brasileiro não entende a sustentabilidade como uma prioridade que dominará os mercados cada vez mais. Não estou dizendo que as pessoas não se preocupam, mas o foco é muito mais no lado econômico, com uma visão de curto prazo de sobrevivência: “vamos ganhar dinheiro”. Daqui uns 20 anos, as métricas de sustentabilidade serão essenciais para qualquer país vender produto agropecuário no mundo. Hoje, estamos vendo a ponta do iceberg, e nós, como brasileiros, temos um defeito de olhar pouco para fora do nosso território. O Brasil é um mercado grande. Importante. As empresas priorizam a temática nacional. Eu, que participo ativamente do fórum global, como diretor da IFIF, já enxergo que a sustentabilidade é uma prioridade global.

E qual caminho você acredita ser o mais efetivo para reverter essa imagem? Eu fiz uma apresentação no mês passado na FAO, falando sobre os programas de sustentabilidade do Brasil, e ela foi muito bem recebida.  Todos gostaram do trabalho que vem sendo realizado: participação feminina, jovens, preservação. Mas, os europeus que participaram desse evento falaram: “Parabéns, fiquei muito emocionado, mas essa apresentação não levará dinheiro para o bolso do produtor rural brasileiro”. E aí conversando com os europeus e o setor, uma coisa ficou clara: ou nós transformamos tudo que fazemos em sustentabilidade ambiental em métricas aceitas pela comunidade internacional, ou ela não tem valor.

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Reportagem completa está disponível em "Ele quer levar o Brasil ao protagonismo" (Foto: reprodução)

Esse trabalho já começou no Brasil? Fui convidado e estou coordenando o GFLI no Brasil. Ele é um grande banco de dados global, que já é referência no mundo de sustentabilidade ambiental na alimentação animal, e é aceito pelos governos da União Europeia, Canadá e Estados Unidos.  E agora, minha responsabilidade é reunir todas as iniciativas, trabalhos e dados brasileiros para transforma-los em métricas aceitas pelo mundo.

Para entendermos um pouco mais sobre essa iniciativa, o que ela medirá exatamente? Ela tem todas as metodologias padrões para medir a pegada de carbono, o uso de água e a emissão de metano, e tudo isso dentro de um padrão que o mundo poderá comparar. Até a data de hoje, estamos fazendo muita coisa em sustentabilidade ambiental, porém, pouco dessas ações tem credibilidade para o resto do mundo. Os nossos dados somente serão referendados depois da adesão do Brasil ao GFLI.

Neste momento, qual está sendo a principal frente para tornar essa iniciativa realidade no Brasil? Realizaremos um encontro para formalizar essas adesões, em março do ano que vem. A direção do GFLI virá ao Brasil, e o primeiro passo será assinar o nosso convênio de adesão, e a partir desse momento, começaremos a gerar dados.

Fonte: Redação feed&food.