30/01/2018 NOVAS TÉCNICAS

Plantio consorciado é excelente alternativa para o pecuarista

Sistema permite produção de silagem de qualidade e pastagem produtiva

A intensificação dos sistemas de produção exige do pecuarista investimentos em novas técnicas de produção, que permitam a maximização do uso do solo, mão de obra e máquinas. Os sistemas integrados de produção como Lavoura-Pastagem, Lavoura-Floresta e suas combinações vêm ganhando espaço nas propriedades e, tem se mostrado, promissor ao avaliarmos os ganhos em produção e produtividade animal.

É o que indica o consultor Rogério Coan, da Coan Consultoria (São Paulo/SP) e o engenheiro agrônomo, mestre em Ciência Animal e Pastagens pela Esalq/USP e consultor Master da Coan Consultoria, Daniel de Castro Rodrigues.

De acordo com eles, o plantio consorciado entre "milho + pastagem" é uma excelente alternativa para o pecuarista. "A adoção desse sistema, quando realizado de maneira correta, permite a produção de silagem de qualidade e o estabelecimento de uma pastagem altamente produtiva, que permitirá ganhos extras em arrobas, além de cobertura do solo para o plantio direto", contam os consultores em artigo.

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Imagem demonstra uma área aonde o processo de integração não foi realizado. O solo fica descoberto, sujeito a diversos processos erosivos, e não há como utilizar a área para pastejo (Foto: divulgação)

Este ano, os custos de produção de silagem ficaram entre R$ 2.850,00 a R$ 3.230,00 por hectare. Considerando a produtividade média das propriedades entre 11 e 12 ton/MS/ha (silagens colhidas com 33% de MS) ou 35 toneladas de massa verde por hectare, estaríamos trabalhando com algo em torno de R$247,82 a R$280,86 por tonelada de massa seca produzida. "Nesse sentido, nada melhor que o plantio consorciado entre milho e pastagem para otimização do uso do solo e fertilizantes, além da produção de arrobas extras após a ensilagem do milho", dizem os consultores. 

Nas áreas integradas (milho + pastagem), a história é outra. Veja a sequencia de imagens após a ensilagem do milho (Figura 2). Trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa (Brasília/DF) apontaram produções de massa seca de Brachiaria superiores a 8,0 ton/ha; onde os pesquisadores ressaltaram também a melhora nas características físicas do solo, redução de plantas invasoras, aumento do teor de matéria orgânica, maior ciclagem de nutrientes, entre outros.

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O resultado da estratégia é pasto verde para produção animal (Foto: divulgação)

Em visita a fazendas que já adotaram o sistema, não são raros os relatos de aumento na produção de leite e carne, aumentos na taxa de lotação e capacidade de suporte das pastagens e uma melhor eficiência em todo o sistema produtivo, no que tange o uso do solo, máquinas e mão de obra.

A oferta de forragem “extra” em um período em que a grande maioria das gramíneas já entram ou entrarão em processo de florescimento (queda na qualidade da forragem ingerida) é bastante interessante para programas de pré-condicionamento dos animais ao confinamento. O fornecimento estratégico de concentrado á pasto, associados à alta disponibilidade de forragem nesse período, permite que se faça a adaptação às dietas com maior uso de concentrado, evitando assim problemas de acidose e perda de peso dos animais após sua entrada em confinamento. Nesse sentido, programas de semi-confinamento e redução do período de permanência em confinamento também devem ser considerados na avaliação de viabilidade dos projetos.

Em geral, ambos os consultores analisam que os custos da renovação ou recuperação da pastagem no sistema integrado podem, em anos normais, ser amortizados, total ou parcialmente, já no primeiro ano de cultivo. Como dito anteriormente, uma mesma área é utilizada para produção de grãos e/ou volumoso conservado e posteriormente para pastejo. Algumas propriedades que já adotaram o sistema têm conseguido ganhos de peso entre 600 a 800 g/cab/dia, com taxas de lotação que variam de 3 a 4,5 U.A/ha. "Vale ressaltar que estes níveis de ganhos podem ser encontrados facilmente em muitas propriedades, porém com estas taxas de lotação (3,00 U.A/ha) somente em sistemas muito eficientes é que podem ser atingidas. Esse é um ponto chave do sistema de integração, eficiência produtiva de todos os recursos", dizem.

Ao possibilitar que uma mesma área produza grãos ou volumosos e ainda seja capaz de alocar animais permitindo aos mesmos altos desempenhos dentro do mesmo ano safra estamos maximizando a utilização de recursos. A possibilidade de aliarmos altos ganhos de peso a altas taxas de lotação é a expressão mais clara da eficiência em pecuária de corte. Está ai o binômio determinante do sucesso da pecuária moderna: sustentabilidade na utilização dos recursos naturais e eficiência produtiva – produzir mais gastando menos.  

Com a intensificação dos sistemas de produção, e a maior competição por áreas agricultáveis, os sistemas integrados vêm somar a uma séria de tecnologias que devem ser avaliadas e adaptadas a cada propriedade. "Devemos nos tornar cada vez mais competitivos, utilizando de maneira racional os fatores de produção", comentam Rogério Coan e Daniel Rodrigues.

O leque de opções para o produtor hoje é grande: silage/pastagem, grão/pastagem, silagem de grão úmido/pastagem, soja/pastagem, soja/milheto e assim por diante.  A integração exige investimentos em maquinário, mão de obra qualificada, gestão e planejamento.

"Recomendamos que, aqueles que queiram iniciar sistemas integrados de produção, façam um planejamento minucioso dos passos a serem tomados, se possível buscando auxilio de profissionais que tenham experiência no assunto. Aspectos como dimensionamento de maquinários, estabelecimento de um cronograma de atividade a serem executadas, escolha certa de variedades agrícolas, conhecimentos básicos de condução de lavouras e outros são preponderantes para o sucesso da atividade. Lembrando sempre que de nada adianta uma grande diversificação dos sistemas produtivos se você não entende bem de nenhum deles", finalizam.

Fonte: Rogério Coan e Daniel de Castro Rodrigues, adaptado pela equipe feed&food.