23/03/2017 CONTRA ESTEREÓTIPOS

Prodígio com mãos voltadas à sustentabilidade no agronegócio brasileiro

Aos 28 anos, Marcela Costa se destaca por sua jovialidade e inovação

Natália Ponse, da redação

natalia@ciasullieditores.com.br

No Brasil, segundo o relatório “International Business Report 2016”, realizado pela empresa de consultoria Grant Thornton com cinco mil executivos em 36 países, 53% das empresas sem mulheres em cargos de liderança representam, além de um número elevadíssimo, um retrocesso. Este número já foi bem menor, respectivamente 26% e 33% nos estudos divulgados em 2013 e 2014. Elas detêm 19% de cargos de alto escalão existentes e isso também foi melhor: 23% no estudo divulgado em 2013.

Caminhando contra as estatísticas surge Marcela Costa, que aos 28 anos integra a equipe de Socioecoeficiência da Fundação Espaço ECO, da BASF (São Paulo/SP), empresa química alemã global. Reunindo uma graduação em Engenharia Ambiental pela Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) a uma pós-graduação (mestrado) em Ciências Ambientais pela mesma universidade, a analista é responsável pelo desenvolvimento de consultoria, buscando conectar sustentabilidade com oportunidades de negócios na agricultura e na indústria por meio de projetos de análise do ciclo de vida.

“Com a experiência de conectar sustentabilidade ao agronegócio consegui desenvolver um olhar mais sistêmico para a cadeia produtiva e os seus abissais desafios"

Mas, bem antes disso, durante a sua pós-graduação, Marcela desenvolveu um projeto inovador de socioecoeficiência (baseado na avaliação do ciclo de vida) de sistemas de produção Integrados (Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta e Integração-Lavoura-Pecuária) e tradicionais de carne bovina, milho, soja, sorgo e eucalipto para energia. O estudo, que apontou os benefícios do sistema integrado para a produção, meio ambiente e para a qualidade de vida do homem no campo, foi desenvolvido com o apoio de diversos stakeholders. Os resultados finais do estudo foram publicados em diferentes meios e apresentados em diversos fóruns e congressos nacionais e internacionais (Peru, Japão, Brasília e França). “Com a experiência de conectar sustentabilidade ao agronegócio consegui desenvolver um olhar mais sistêmico para a cadeia produtiva e os seus abissais desafios. Consegui ver a importância do meu trabalho para a sociedade”, reflete a jovem.

Mesmo com toda essa bagagem e o contato com o agronegócio desde pequena por meio da sua família, a engenheira ambiental teve que driblar alguns estereótipos no meio corporativo para poder conquistar o seu lugar. “Um exemplo claro é a fragilidade. Em discussões e debates já fui poupada quando expus uma opinião divergente, já que evitar o debate de frente é uma forma de desmoralizar a opinião, de te considerar ‘café com leite’ em uma brincadeira de criança”, diz. Ela ainda lembra sobre a desconfiança com relação à idade, indicando que houve um receio em referente à real credibilidade dela, como profissional, para determinados assuntos.

Entretanto, Marcela ressalta que esse cenário vem mudando. “Em boa parte das situações, considerando um ambiente com predominância de homens, reconheço que tive oportunidade de externar minha opinião de forma respeitosa, contribuindo para o debate”, conta. Ainda que existam mais homens no ambiente corporativo, a presença da mulher vem se destacando em velocidade constante. O desafio maior, na opinião da engenheira ambiental, é na área operacional, para funções básicas do campo.

Alguns pecuaristas, no entanto, já vêm notando o valor da mulher, em números, no trabalho braçal (clique aqui para ler reportagem já publicada no portal feed&food em que o proprietário de uma fazenda notou a redução de 35% na necessidade de realizar manutenção em tratores e outros equipamentos pilotados por mulheres). Para Marcela Costa, além de o setor corporativo estar mais igualitário atualmente, outro exemplo são as turmas das áreas de engenharia agrônoma de escolas tradicionais, que antes eram completamente ocupadas por homens e hoje, segundo Marcela, já encontra presença feminina de cerca de 50%. “Além disso, há outras diversas iniciativas, como o Congresso Nacional das Mulheres no Agronegócio. A própria realização do evento já é uma justificativa da importância da participação da mulher neste setor”, afirma (leia mais sobre o evento no final desta reportagem).

Para aquelas que se interessam pelo caminho do agronegócio, algumas características podem ajudar, se bem desenvolvidas. Marcela aponta: “dividir nossa experiência e consultar mais, sem receio de expor as dúvidas em relação à tomada de decisão, são diferenciais e podem ser fundamentais para o sucesso. Assim, as soluções encontradas são mais embasadas e com menor risco ao negócio”.

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Congresso Nacional das Mulheres no Agronegócio. Para ser inspirar por meio dessa e de outras histórias, o Congresso Nacional das Mulheres é direcionado às agricultoras, pecuaristas, produtoras integradas e cooperadas, profissionais da indústria, executivas, mulheres empreendedoras e a todas as profissionais e sucessoras do agronegócio. Um encontro idealizado pelo Transamerica Expo Center, voltado à inovação, rentabilidade, empreendedorismo e sustentabilidade do setor. Em 2017 a reunião será realizada nos dias 17 e 18 de outubro de 2017. Uma oportunidade única de intercâmbio profissional, conhecimento, reciclagem e acesso aos grandes nomes do agronegócio no Brasil.

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Marcela carrega bagagem consistente sobre sustentabilidade nas produções (Foto: divulgação)