27/10/2017 ASCENÇÃO

Maior oferta de animais e arroba mais baixa acende sinal amarelo para 2018

Assocon prevê exportações de mais de US$ 6 bilhões de dólares

Natália Ponse, de Araguaína (TO)

natalia@ciasullieditores.com.br

A maratona 2017 está chegando ao fim, e aqueles que conseguem cruzar a linha de chegada estão ofegantes e cansados. Os acontecimentos que reverberaram pelas redes sociais, mídias nacionais/internacionais, rodas de conversa e grupos de whatsapp transformaram a calmaria do agronegócio em um mar agitado com status de tsunami. Mas, não foram só as indústrias que se viram obrigadas a arranjar um barco as pressas e remar como nunca até um porto seguro. Até então levado pela maré, o pecuarista que não estava prevenido contra adversidades viu a atividade patinar.

Depois do susto, a redenção. Ainda que o consumo de carne bovina esteja abaixo do que era antes da Carne Fraca, delações e cia, surge um rompante de melhora tanto na confiança do consumidor quanto na busca pelo produto para compor suas refeições. Mas, no que isso muda com relação ao mundo dentro da porteira? Tudo.

“As famílias ainda estão muito preocupadas com desemprego, mas já se enxerga melhorias no cenário econômico”

Finalizando a bateria de palestras da Intercorte em Araguaína (TO), o gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon, Goiânia/GO), Bruno de Jesus Andrade, acendeu uma luz aos produtores de gado sobre o futuro em 2018. “Observamos uma melhoria nos indicadores macroeconômicos brasileiros, a recuperação do consumo das famílias a partir do primeiro semestre do próximo ano e a manutenção dos preços da carne bovina com relação ao dia a dia (cortes dianteiros)”, pontua o especialista.

Com relação aos cortes “de primeira”, como picanha e filé mignon, a compra no primeiro semestre deve baixar - fator sazonal, já que é neste período que surgem despesas como IPVA, material escolar, taxas de matrícula etc. A previsão para os cortes menos valorizados, no entanto, é de estabilidade. Isso acontece porque a maioria das famílias consome esse tipo de produto ao longo do ano, de forma estável. Já no segundo semestre, quando surge 13º salário, férias e festas de fim de ano, o consumo de ambos deve ficar em patamares otimistas.

tabela assocon

Bruno Andrade apresentou uma simulação sobre os preços do confinamento, comparando 2017 e 2018. Em destaque, as principais despesas: boi magro e dieta (Foto: feed&food)

Todo esse cenário impacta o lado de dentro da porteira. Tudo aponta para maior oferta de animais para abate, consequentemente para reposição e, como já dito, expectativa de melhora no consumo interno e externo. A previsão é de alta no custo de produção, mas, Andrade salienta, não é nada fora do comum. Outro ponto é um aumento de abates em 2018, junto à alta na oferta, com reposição em um ambiente favorável. “Existe uma sinalização de que a atividade de engorda pode ser rentável no ano que vem”, diz.

Sobre o aumento de oferta de animais, Bruno Andrade explica que é possível que ocorra uma desvalorização do preço da arroba no segundo semestre, fazendo com que esses animais saiam em grande quantidade. “Ainda que a gente tenha melhoria na demanda e um aumento no custo de produção, fica o alerta para o ano que vem, quando teremos mais animais saindo para ser abatidos”, pontua. Como conselho, ele orienta que o pecuarista deve se proteger utilizando ferramentas como análise do mercado futuro, para fazer projeções.

Com relações às exportações, é esperado um faturamento de US$ 6 bilhões de dólares no quadro geral. Mas, para isso, é preciso investir em produtividade. “O uso de tecnologias de forma consciente traz resultados interessantes, mas também ‘desembolso’. O que realmente importa é focar na melhoria de margem por estar agregando mais arroba, mais receita e mais lucro por hectare”, finaliza e questiona: “O que você está fazendo para melhorar a produtividade nos seus 4, 5, 10, 20 mil hectares?”.

Em análise finalizando a etapa da Intercorte, Bruno Andrade orientou pecuaristas para que não sejam pegos de surpresa pelas variações do próximo ano (Foto: feed&food)