18/08/2017 FORÇA ECONÔMICA

Agronegócio brasileiro gera mais de 46 mil empregos em apenas um mês

Setor pavimenta caminhada rumo à recuperação dos índices nacionais

Natália Ponse, da redação

natalia@ciasullieditores.com.br

A carteira de trabalho vazia não é problema para a agropecuária. Na realidade, esse cenário é cada vez menos encontrado neste setor em específico. Os números não mentem: somente em maio, sozinho, o agro gerou 46.049 mil vagas (34.253 com carteira assinada). No ano de 2017, acumula um saldo positivo de 48.543 postos formais. Fica claro que o setor cumpre uma função social importante ao gerar emprego, renda e alimentos para a população.

Mas, a que se deve esse destaque? Para o economista do setor de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos (Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), Sérgio Luiz Rodrigues Torres, o fato de o setor estar à margem da crise econômica interna em razão, por exemplo, da produção destinada ao mercado externo e à produção de matérias primas para demandas constantes, é de grande relevância.

Setor cumpre função social ao gerar emprego, renda e alimentos para a população

Torres complementa que, na agropecuária como um todo, no primeiro semestre, ocorre tradicionalmente uma sazonalidade positivamente forte, especialmente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, nas suas respectivas culturas de produção.

São esses os Estados com maior número de empregos gerados no primeiro semestre de 2017, veja a tabela abaixo com dados também de anos anteriores.

UF

2017

2016

2015

2014

Minas Gerais

49.284

50.184

44.295

49.892

Espírito Santo

5.447

2.138

4.387

4.697

Rio de Janeiro

2.821

2.955

399

2.745

São Paulo

49.455

26.052

24.802

40.041

Paraná

2.594

1.511

4.177

2.136

Mato Grosso do Sul

2.166

2.476

1.855

2.372

Mato Grosso

6.206

4.985

4.925

5.855

Goiás

10.526

10.870

8.595

8.797

O fato de estas federações estarem relacionadas no assunto acima está diretamente ligado à atividade predominante nelas: a criação de bovinos. Sabe-se que o Centro Oeste é o grande produtor de carne bovina no Brasil, seguido de pecuária também consistente no Sul e Sudeste. O furacão verde e amarelo atravessa fronteiras e coloca a nação também como uma das principais exportadoras do produto no mercado global, com 106 mil toneladas embarcadas em julho, o que representa uma alta de 29,5% sobre o total dos embarques realizados no mesmo mês do ano passado.

Este setor em específico gerou 2.647 empregos em 2017 (17.468 ao longo de quatro anos). Já a criação de aves abriu 1.840 postos neste ano, frente a 3.773 ao longo do período analisado, registrando queda apenas em 2016. A suinocultura também teve baixa no mesmo ano, mas empregou 653 pessoas em 2017, sendo 1.514 entre 2014 e 2017.

Com toda instabilidade que o Brasil atravessa, será que este comportamento vai se perpetuar? Para o economista Sérgio Luiz Rodrigues Torres, sim. “As principais atividades devem continuar gerando emprego em razão do seu diferencial de produtividade, seja para o mercado interno ou externo”, diz. Ainda de acordo com ele, os fatores que podem contribuir para expansão são os climáticos, aumento das exportações, câmbio favorável, inflação menor, fim do desperdício e o consumo e produção sustentável. “São variáveis que refletem no desempenho positivo para geração de empregos”, finaliza.  

Juntas, avicultura, suinocultura e bovinocultura geraram 5.140 empregos neste ano (Foto: reprodução)