Feed, Nutrição e Segurança Alimentar|5 de julho de 2012 11:05

Codex aprova ractopamina

Órgão decide adotar critério internacional de segurança dos alimentos para ractopamina

Atualização com informações da Scot Consultoria (06/07  às 15h45)

Após quatro anos de disputas entre exportadores e importadores agrícolas, uma negociação internacional realizada quinta-feira (5) em Roma decidiu estabelecer limites para o uso da ractopamina, substância que estimula a engorda de animais destinados ao consumo humano.

A discussão envolve milhões de dólares em exportações e o assunto pode acabar em disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC), a julgar pelas reações apresentadas na capital italiana. A utilização da substância que promove o crescimento dos animais e reduz os custos de produção, principalmente o de suínos, é autorizada no Brasil, EUA, mas proibida na União Europeia e na China, grandes importadores. O Codex Alimentarius, órgão que estabelece os padrões de qualidade dos alimentos como base para o comércio internacional, concluiu por meio de pesquisas científicas que o uso da substância não tem impacto sobre a saúde dos consumidores.

Durante a reunião anual do Codex, Brasil e EUA fizeram forte campanha para conseguir limites máximos para o uso da ractopamina. Dessa forma, um país importador não pode proibir a entrada da carne que contenha a substância dentro dos padrões autorizados. Após intensas negociações, a votação terminou apertada (69 votos contra 67), para estabelecer os limites da ractopamina presentes em músculos, gordura, rins e fígado. Os chineses, consumidores de pulmões de suínos, se opuseram aos novos índices e garantiram a prevalência da legislação do país.

No sábado, o Codex Alimentarium vai aprovar formalmente a decisão obtida durante a negociação. Porém, ela demorará anos para ser implementada pelos países. A União Europeia avisou que vai manter a proibição da entrada de carnes que contenham a ractopamina nos 27 mercados do bloco comunitário. Isso significa que no futuro poderá haver uma disputa comercial, com exportadores como Brasil e EUA, denunciando os europeus na Organização Mundial do Comércio (OMC) por desrespeito a um acordo internacional.

O Codex aprovou, ainda, novas regras para proteger a saúde dos consumidores em vários setores. Entre elas, o nível máximo de melamina (composto usado na fabricação de plástico) de 0,15mg por quilo, na fórmula de leite líquido para bebês. Em relação à aflatoxina, substância tóxica produzida por fungos, foi estabelecido o limite de 10mg por quilo, em figos secos. Frutas secas armazenadas de forma incorreta são suscetíveis a este tipo de contaminação.

Outra recomendação é que os produtores globais de alimentos insiram selos em seus produtos com maiores informações nutricionais. A comissão do Codex Alimentarium é dirigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), para estabelecer as bases da segurança alimentar que, por sinal, exerce forte influência sobre o comércio mundial.

Fonte: Scot Consultoria, adaptado pela equipe feed&food.

Postado (05/07 às 11h05)

Histórico:

A Comissão do Codex Alimentarius decidiu adotar critério internacional de segurança dos alimentos para a ractopamina no 4º dia da 35ª sessão em Roma. A decisão será oficial quando o relatório da Comissão for finalizado no dia 7 de julho, sábado.

A Comissão decidiu adotar a ingestão diária aceitável (IDA) e níveis máximos de resíduos (LMR) para músculo, gordura, fígado e rins de suínos e bovinos.

As recomendações do Codex foram projetadas para servir como padrão internacional de segurança dos alimentos e, assim, assegurar que a saúde dos consumidores seja protegida. Consequentemente, auxiliar o comércio internacional justo de produtos seguros ao proporcionar referências internacionais de segurança alimentar para todos os países.

A ractopamina é um ingrediente da ração que direciona nutrientes da gordura para os músculos magros, ajudando a aumentar o rendimento de carnes magras de bovinos e suínos.

A ractopamina não é um antibiótico, hormônio esteroide ou um OGM – organismo geneticamente modificado – nem é fabricado usando organismos geneticamente modificados.

Os critérios de segurança para os consumidores foram confirmados pelo Comitê Conjunto de Especialistas Independentes da FAO/OMS para Aditivos de Alimentos (JECFA) em 2004, 2006 e 2010 e por 27 autoridades reguladoras de diferentes países ao redor do mundo.

A adoção pelo Codex de uma IDA e LMR propostos pelo JECFA reforça as decisões tomadas com base científica e, assim, auxilia os países a produzir, exportar e importar alimentos produzidos com critérios seguros.

“Estas normas são referências internacionais de segurança dos alimentos que auxiliam e asseguram os consumidores quanto ao alimento seguro. Os padrões do Codex para ractopamina são um passo significativo para a produção sustentável de carnes, visando atender a demanda crescente por proteína animal e, portanto, auxiliando no combate a desnutrição mundial. A Elanco está muito satisfeita com a decisão da Comissão do Codex em adotar para o uso da ractopamina padrões internacionais de segurança dos alimentos em músculos, gordura, fígado e rins ”, ressaltou o presidente da Elanco Saúde Animal ( com sede no Brasil em São Paulo/SP), Jeff Simmons.

 Sobre a ractopamina:

A ractopamina é comercialmente distribuída pela Elanco como Paylean® que é um ingrediente da ração para suínos que direciona nutrientes para melhorar o rendimento da carcaça, ganho médio diário e a conversão alimentar. Os benefícios geram cerca de 3 kg de carne magra adicional e aumenta a conversão alimentar em 10%.

A ractopamina também é comercializada pela Elanco como Optaflexx®, um ingrediente da ração de bovinos no período final da engorda para aumentar: ganho de peso, rendimento de carcaça e conversão alimentar. O peso da carcaça quente aumenta em até 8,25 kg.

Fonte: AI, adaptada pela equipe feed&food.
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Comentário

  • Sou fã da Ractopamina e agora aprovada pelo Codex Alimentárius, prova que faz economia de custos quando bem utilizada na produção de suínos.
    Esperamos que os países ainda resistentes em liberar este aditivo, possam em breve estar beneficiando seus consumidores de um produto seguro e eficiente, como melhorar o custo de produção dos criadores de seus países.
    Parabéns a comissão do Codéx que aprovaram o produto. É um avanço.

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