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Fiscalização
 
segunda, 8 de março de 2010 12:17 BRT
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Alto custo impede fiscalização rigorosa de produtos


Os programas responsáveis pela fiscalização de alimentos in natura e industrializados dos Estados e prefeituras do Brasil, ainda não estão preparados para analisar produtos funcionais que alegam benefícios à saúde. A afirmação é feita pelo farmacêutico com especialização em vigilância sanitária de alimentos, William La Torre.

De acordo com o especialista, os testes para verificar se um produto funcional realmente tem os componentes benéficos à saúde que alega exigem uma alta tecnologia de ponta.

"Comprovar o que está no papel não é possível. As vigilâncias locais conseguem fazer testes físico-químicos e biológicos para verificar contaminações e avaliam a correção dos rótulos. Mas o restante é um quadro de complexidade para o qual os laboratórios dos governos ainda não têm estrutura. Para que isso ocorra, seria necessário convênios com universidades", ressalta La Torre.

Nem mesmo as ONGs de consumidores que tradicionalmente testam alimentos, como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC, São Paulo/SP), têm capacidade financeira para realizar a fiscalização dos produtos.

Os apelo dos produtos é cada vez mais forte, como a informação de que têm mais vitaminas, e precisamos ter condições de monitorar isso.

La Torre destaca que é extremamente difícil avaliar se os benefícios prometidos serão iguais em todas as pessoas, sem considerar sua dieta. "Produtos enriquecidos com ferro, por exemplo, competem com o cálcio proveniente de outros alimentos, exemplifica. Assim como gorduras podem facilitar a absorção de determinadas vitaminas. Não nego o benefício do licopeno (antioxidante presente no tomate), por exemplo, mas não sabemos quanto molho de tomate teríamos de consumir para ter o efeito".

Mercado em ascensão


A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA, São Paulo/SP) não quis comentar na última sexta-feira os questionamentos feitos aos alimentos com alegações de benefícios à saúde.

Segundo o
diretor de economia da ABIA, Denis Ribeiro, o mercado dos produtos de bem-estar cresce 9% ao ano, comparado a 8% dos demais alimentos industrializados no mundo, mesmo fenômeno registrado no Brasil. Só produtos enriquecidos (com vitaminas) e funcionais movimentaram globalmente, em 2008, R$ 228 bilhões.

A entidade realça que o mercado visa pessoas que não cozinham, têm pouco tempo para buscar e preparar alimentos naturais, porém, que procuram itens mais saudáveis. "No Brasil, algumas pessoas ainda têm empregada, mas, no futuro, será como lá fora, onde ninguém tem. À medida que a educação e as informações sobre saúde melhorarem, o mercado crescerá. A tendência da sociedade urbana, em que não se cozinha, é facilitar o reforço alimentar", fala Ribeiro.


Fonte: O Estado de São Paulo, adaptado pela equipe feed&food

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